13 abril, 2008

Asilo

Não é uma casa muito grande. Na verdade, ela é bem modesta e simples. Há poucos quartos, apenas três no corredor. Uma pequena varanda, junto a uma sala de estar, a cozinha, ao lado a área da dispensa, e o quarto dos fundos. A decoração é bem simples também, alguns poucos móveis de madeira, uma mesa de vidro, um pequeno centro de pedra e algumas almofadas.

Você é o único interno.

Interno de uma prisão filosofal. Preso por suas convicções, preso por ser incompreendido.

Há pessoas na casa. Mas não se esqueça, de interno só você. Imagine que elas transitam pelos cômodos livremente, diante de seus olhos. Muitas vezes, em uma rotina pragmática. Mas elas não o vêem, ou simplesmente não se importam. Afinal, você é o diferente, o louco incompreendido.

Imagine também, que tudo que faz é irrelevante. Pois, não há iguais ali com você, e qualquer tentativa de chamar a atenção é em vão. Um garotinho crescido, que ainda espera que o ouçam.

E por fim, não se esqueça de ser paciente. Ah sim! Ela é fundamental. Aliás, essencial, pois se não você realmente irá se perder em suas convicções únicas, e se tornará o louco que todos o vêem. Porque seus dias passam, sem que saiba quando ou se vai sair dali. Como poderia? Quem o tiraria?

Você é capaz de imaginar?