26 janeiro, 2010

Fuga

Fugindo um pouco da rotina, resolvi postar hoje um conto que a muito estava guardado comigo esperando apenas para ser finalizado. Um bom tempo sem postar um texto corrido, então não se admirem (risos!).
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Sua respiração está pesada, ela olha para trás mais uma vez, esperando vê-lo. Suas longas passadas, enquanto corre naquela chuva pesarosa tiram-lhe o fôlego a cada segundo. As enormes poças de água, a tingir em marrom escuro suas vestes ensopadas, e a fraca luz avermelhada que ainda iluminavam o local, contribuíam negativamente ainda mais.

Um tropeço. Uma queda.

O mundo parece rodar ao seu redor, e então as coisas começam a perder o foco. Ela tenta aturdida entender o que está lhe acontecendo. A chuva em seu rosto parece não adiantar muito em sua tentativa de se manter consciente.

Sua cabeça lentamente pende para o lado, e ela então o vê. Ela já não sabe se ele está longe ou não, nada parece fazer mais sentido, apenas a crescente sensação de terror que toma-lhe forma, enquanto ela observa seus passos lentamente em sua direção.

Aquele longo chapéu negro era inconfundível. Ele estava a sua frente, mas ela não parecia conseguir enxergar seu rosto. Apenas a água que escorria por volta daquela sombra negra.

Ele se abaixa, em sua direção. Ela sente calafrios, e seu corpo inteiro treme em pânico. Aquela ansiedade do que poderia acontecer-lhe parecia tirar-lhe qualquer chance de reação. E aqueles segundos pareciam intermináveis.

Ela o vê abaixar a cabeça e segurar o chapéu.

Finalmente ele o tira.

- Eei, Gina, o que faz aqui uma hora dessas, e nessa chuva? – pergunta o agora não mais desconhecido rapaz.

20 janeiro, 2010

Dias e Canções


E os dias são assim,
como os versos simples de uma canção.
Soam-nos aos ouvidos,
escrevemo-los,
e já estamos prontos para o próximo dia,
ou para a próxima canção.

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Férias e os devanéios, como fugir deles? São tantos pensamentos, que os dias se tornam assim... como versos de uma canção.

15 janeiro, 2010

Quero Te Excluir de Minha Vida


Como se fosse alguma entranha minha
Quero te extirpar de uma vez
Cortar fora tudo o que me resta
E me remonta a você

Ignorar que algum dia existisse
E que algum dia fosse de alguma importância para mim
Viver a partir o dia em que deixaste de existir
Como um novo recomeço, uma nova história
Em que jamais estarás nela

Apagar as memórias
Recordações, cartas e desejos
Tudo.

Não restará nada a partir de hoje
Só o novo eu que restou:
Livre, sem ressentimentos e amarguras
Mais maduro,
Mais eu.

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É tudo o que tenho a dizer, cada palavra, cada frase. Tudo. A vida é feita de momentos, e é este em que vivo agora, um momento de adeus ao passado. Gostaria de como primeira postagem do ano colocar algo mais estimulador, mas poeta como sou não posso negar o momento presente, e ele é este.