25 dezembro, 2007

Tempo de Mudança

Os acordes já não são mais os mesmos
A música é triste
Os versos desolados contam a nova história

O aroma já não é mais doce e encantador
É pútrido
Causa repulsa, como se estragado

As visões são turvas
Opacas, sem cor
Perderam o brilho, não possuem o foco da clareza

A razão? Ah! A razão!
Esta parece ter se perdido em seus próprios paradigmas
Definhou em teorias, agora vãs
Não mais cogitadas
Desnecessárias

Aquelas palavras que retratam o que se é sentido
Perderam o sentido
Inverteram-se
Não se qualifica mais, não se sabe mais

Os tempos enfim mudaram, ou mudam como preferir
Talvez seja a tendência natural das coisas
Talvez mudanças inesperadas, acasos
Ou talvez resultado de um conjunto que forma um todo
E acarreta em tudo aquilo que se é notório
Uma história

Destino? Não

Apenas tempo de mudança

06 dezembro, 2007

Caso Pensado

Incompreensível. Esta lhe seria a atribuição mais correta
E ele já perdeu a vontade de entendê-la
Pois havia algo novo no ar, ele descobrira um lado até então desconhecido
Um lado interessante em sua personalidade

Recordava-se do início de tudo
E de como era tudo tão diferente
De como estão mudados
E das coisas que jamais voltariam a ser como antes

Melhores agora? Talvez, há muitas perspectivas
Muitos fatos. Porém mais próximos, sem dúvida

E ela torna a surpreendê-lo
Mesmo ela lhe sendo previsível em muitas ocasiões
Mas logo em seguida volta-se ao incompreensível novamente
E ele, volta-se a seu estado de dúvida fundamental
Ou simplesmente busca de uma nova motivação no outro

E afinal ele questiona-se por que ainda aqui? Por que ainda assim?
Ela? Já não sabe
Incompreensível
Já dito
Já cogitado
Imaginado

Caso pensado

04 outubro, 2007

Qual será o fim da história?

E a longínqua silhueta vai sumindo na baixa luz
Ele permanece parado, de olhar inerte
Parece-lhe duro aceitar

Recostou-se a um poste sem luz, afinal
Apenas a pequena chama de seu cigarro parecia iluminar aquele lugar lúgubre
Deu um breve suspiro resignado, olhando o enorme vão da noite
Folhas velhas agitavam-se ao longo do asfalto negro, e nada mais parecia ter vida além das fachadas escuras de portas trancadas

Pôs-se a andar novamente após uma ultima baforada a olhar aquele céu cinzento
Nada ocorria-lhe a mente, apenas o som de seus passados quase mudos

Qual será o fim da história?

31 agosto, 2007

Diga-lhe

Festa. Badalação. Gente.
Este parece ser seu novo mundo. Ou seria seu novo eu?
E este copo em sua mão? E estas pessoas estranhas ao seu redor?
Ele respira novos ares.

Interessante. Eles diriam.
Canalha. Diria ela.
O que seria afinal? A esta pergunta ele não entende.
Ou melhor, ele já não a questiona mais.

E aqueles pensamentos antigos?
Aqueles questionamentos, outrora tão significantes e presentes?

Ele parece ter agora outras coisas com o que se preocupar.
E por quê? Por quê esta nova perspectiva?
Perguntam os antigos.

Ele? Quem?
Já não sabe. Por quê? Diga-lhe.

25 julho, 2007

Tempo

Com tanto tempo desperdiçado ultimamente, tenho pensando bastante sobre o mesmo ultimamente. Estava olhando como de costume em algumas comunidades de filosofia, e uma delas perguntava exatemente sobre o tempo, então me motivei a escrever.
Tempo, abstrato, porém ao mesmo tempo tão presente em nossa vida. Fomos capazes de determiná-lo, mas jamais de dominá-lo. Enquanto contamos os meses de namoro, os anos de casados e as décadas que já vivemos, não podemos evitar que eles cheguem ao fim.

As pessoas vivem em suas rotinas diárias, quase sempre fazendo a mesma coisa. Vivem atarefadas, e sempre queixam-se da falta de tempo. E quase que como um paradoxo, o tempo que lhes sobra, passam a ver TV no sofá de casa, a jogar cartas na varanda, ou dormindo. Costuma-se dizer, "viva a vida intensamente, aproveite cada segundo." Será que realmente o fazem?

Então surge a pergunta será que realmente nossa vida está valendo a pena? Estamos sabendo aproveitar bem nosso tempo?

O tempo é cruel e paciente, depois é tarde olhar para trás e se arrepender do que não fez. Não que deveremos ser adeptos do carpe diem, porém repensar um pouco sobre o tempo que nos é dado nunca é demais.

21 julho, 2007

Pink Floyd - Time

As horas passam marcando os momentos
Que se vão, que formam um dia monótono
Você desperdiça e perde as horas
De uma maneira descontrolada
Perambulando num pedaço de terra
Na sua cidade natal
Esperando alguém ou algo
Que venha mostrar-lhe o caminho

Cansado de deitar-se na luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de viver o hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida

E você corre e corre para alcançar o sol
Mas ele está indo embora no horizonte
E girando ao redor da Terra para se levantar
Atrás de você outra vez
O sol permanece, relativamente, o mesmo
Mas você está mais velho
Com o fôlego mais curto
E a cada dia mais próximo da morte

Cada ano está ficando mais curto
Nunca você parece ter tempo.
Planos que tampouco deram em nada
Ou em meia página de linhas rabiscadas
Insistindo num desespero quieto
É a maneira inglesa
O tempo se foi, a canção terminou
Pensei que tivesse algo mais a dizer

Meu lar, meu lar denovo, eu gosto de estar aqui quando posso
Quando eu chego em casa com frio e cansado,
É bom esquentar meus ossos do lado do fogo
Muito longe atravessando o campo o badalar do sino de ferro
Chamam os fiéis para os seus pés
Para escutar as macias palavras magicas faladas.

01 julho, 2007

Lapso

Pelas frestas desta janela me pergunto
Há algum sentido nesta vida?
Já não consigo notar mais nada ao meu redor
Além deste copo de whisky que treme em minha mão

Cada respiração, cada suspiro, tornar-se mais difícil
Um após outro, o brilho parece me deixar lentamente
Por que ainda vejo tua imagem em minha frente?
Por que ainda me olhas deste jeito?

Meus ouvidos me traem e já não posso mais ouvir nada
E a razão parece uma coisa distante agora
Por que estas paredes parecem mover-se?

Já não sei se estou vivo
Pois já não há nada alem do negrume pungente
A turbar meus olhos, e confundir-me

Apenas uma pergunta consome minha mente
Neste lapso de inércia, querida
Há algum sentido nesta vida?

Apenas me mostre como partir

Tenho procurado uma forma de falar sobre as motivações e td o mais q norteia meus dias ultimamentes, e as palavras pareciam tão nefastas e sem sentido que prefiro q o mestre fale por mim..

John Frusciante - Goals (Objetivos)

Acabando com a rima
Você sabe que não me sinto bem
Esses sonhos que me roubam o tempo todo
Eles me puxam pelos olhos
Eu não tentei sentir tanto, nada esses dias
Eu tentarei alcançar o campo
E lá eu permanecerei

Não há tempo que venha para mim agora
Não há nada que eu seja contra
Não há nada que eu realmente deseje fazer
Os meus objetivos destruíram o meu passado

Algo sobre a vida
É uma reta sem fim
Estes sonhos que uma vez eu tive
Eles me levaram para um passeio
Apenas me mostre como partir
É tudo que eu preciso

Onde eu não possa notar nada
É la onde eu estarei
A vida não veio para mim agora
Eu não quero ela mesmo

Não há nada que eu gostaria de fazer
Os meus objetivos destruíram o meu passado
Não há nada que queira
Ninguém para eu distrair
Nada para esconder
Dessa vez.

25 maio, 2007

Jus Aquela Noite..


“...baixou o capuz negro de sua cabeça, deixando desprenderem-se seus longos cabelos brancos, que agora balançavam em movimentos apressados com o forte vento. As pontudas orelhas, peculiares de sua raça, também estavam a amostra agora, e seu aguçado sentido estava agora levemente despreocupado.

Seus alvos olhos, que mais pareciam dois cristais em meio a negritude de seu rosto, olhavam atentamente para o sul, perscrutando cada centímetro daquela vastidão enorme, onde agora seus perseguidos fugiam em desespero.

Aquela haveria de ser uma noite interessante, diferente das últimas tediosas a que tivera. Lambeu lentamente com um sorriso mordaz a vil lâmina de sua tão querida adaga, que naquela noite faria jus a fama do drow, de a sombra que mata...”

17 maio, 2007

Terror

Você caminha só, por esta vastidão intrépida e escura. Os calafrios começam a subir-lhe pela espinha e o terror ascendente a devorar-lhe os ossos.

Você olha constantemente para trás e sabe que já não está sozinho. Mas quem estará lá? E esta duvida parece sufocar-lhe enquanto você tropeça por andar apressadamente.

As sombras parecem mover-se em cada esquina, por trás de cada fachada negra e sem vida. Como se fossem existências sombrias a espreita de sua presa que se aproxima.

Os surdos gritos de espasmo da sua cabeça, como súplicas a lhe confundir em seu terror pessoal. E esta infindável peregrinação apavorante não parece ter um fim, além daquele nebuloso a que se possa imaginar.

Mas diga-me, o que você teme pequenino?

10 maio, 2007

Longe

Muitos dias eu queria estar longe, pra ser sincero a maioria deles, longe desta inércia, longe destas paredes ofegantes, longe desse meu eu que morre aqui, a cada segundo.

Longe de ver meus sonhos escaparem por esta janela sempre aberta, a leva-los além de onde posso vê-los.

Longe desta porta sempre fechada a trancafiar-me neste pequeno mundo de dúvidas e não-vida, a fazer-me companheiro desta melancolia.

Mas sei que vivo longe.. sem dúvida vivo longe. Daquela que amo, dos meus anseios e da estrada lá fora, que onde me levaria afinal?

29 abril, 2007

Pseudo Realidade

Os timbres surreais desta pseudo realidade
E as linhas inertes que cruzam o céu
Formando um padrão, intrincado e indefinido
Não passam de mera distração, para desavisados

Tudo não passa de máscaras
A esconder suas verdadeiras facetas
Sua verdadeira essência sombria

Existências irreais, além de janelas e mentes insanas
Ou talvez, tão concretas que se tornam parte deste sistema
Sem regras, apenas até o limite das mentes vãs que o habitam.

13 março, 2007

Loucura Viciante

Que pesar é este que dilacera meus pensamentos
Mostra as víceras do meu ser
E deturpa os meus sentidos?

Será que estou sóbrio? Ou não seria apenas a minha loucura intrínseca
Ou insensatez estonteante de tantos pensamentos vãos
De tanto olhar para o vazio incondicional deste quarto
De tanto olhar as tênues e lépidas sombras que oscilam nas paredes inertes
Num incessante movimento a me levar em minha loucura viciante

As horas parecem confundir-se com minha sanidade
Enquanto os dias passam como apenas mais um
Em que estive só



- Um texto que reflete um pouco o estado de espírito que estou agora agora.

03 março, 2007

Cansaço Filosófico

Às vezes me canso de berrar para as estrelas e sem resposta, como sempre, fico a considerar minhas verdades, minhas “certezas absolutas”, e então, nesses momentos singulares, em que procuramos em fim parar de refletir nossos paradoxos existenciais procuro nas coisas singelas de minha vida fazer aquilo que por mais simples que pareça, tem um significado enorme.. coisas como..

[.:Escrever coisas sem sentido, quase sempre com sentimento de revolta ou tristeza

[.:Deitar na cama e olhar as folhas balançarem lá fora por entre a janela

[.:Correr no calçadão numa tarde de semana e olhar o balanço das marés

[.:Jogar uma partida de dominó no intervalo da faculdade

[.:Assistir uma partida de futebol com meu pai

[.:Tocar violão, e por entre notas e acordes viajar

[.:Comer um bom prato de feijão com carne de sol

[.:Poder ficar acordado até tarde seja no pc, ou comendo algo de madrugada e dormir tranqüilo o quanto quiser sem se preocupar com a hora que irá acordar ou com as tarefas que tem de fazer

[.:Andar sem rumo e perceber o quão singular esse mundo pode ser

[.:Andar com os amigos, e rir, e vivenciar momentos inesquecíveis

[.:Olhar para os nuvens e simples ver o tempo passar lentamente, como aquelas singelas nuvens, diante de seus olhos

22 fevereiro, 2007

Tudo é relativo?

Costumamos ouvir expressões do tipo “isso é relativo” ou “tudo é muito relativo”, de fato, há coisas das quais podemos admitir como relativas talvez pelos muitos pontos de vista que elas admitem ou simplesmente pelo desconhecimento de sua verdade. Mas será mesmo que podemos admitir que todas as coisas possam assumir um caráter relativo?

A ciência talvez diga que não. Através dela o homem tenta provar e descobrir os fenômenos que ocorrem ao seu redor, e tenta responder as muitas incógnitas que ainda existem. A ciência então tenta provar por meio da razão a explicação para os tantos fatos. Porém, seria então a ciência a verdade universal? Estariam todos os fenômenos e valores, condicionados a ela afinal?

A razão talvez venha para nos mostrar um ponto de vista absoluto, pois sem uma explicação baseada em provas para nos mostrar algo, ou seja, sem uma “verdade” a cerca das coisas, poderíamos admitir infinitas verdades, cada qual com a sua, relativando assim todas as coisas.

É comum que tenhamos opiniões diferentes, pois elas se constroem de acordo com nossas vivências, cultura e valores. E muitas vezes entramos em conflito de ideologia, e por isso se faz importante muitas vezes admitirmos uma verdade, pois precisamos de respostas para as coisas. Porém, em contra partida estas tendem a se constituir como absolutas e imutáveis.
Ao final de tudo, não podemos apenas afirmar que tudo é relativo, pois essa afirmação por si só já constitui em uma premissa falsa, ao afirmarmos uma verdade absoluta, porém do ponto de vista prático talvez ela seja verdade.